Whitley (Z9291) atingido pelas próprias bombas aterra perto de Faro

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Leslie Alec Hayward com a farda de sargento aviador. Quando desapareceu em 1944 já era oficial.
(Fotografia: Família de Leslie Hayward)

fotografia do navio Alpha

Data

Local

Força

Avião

 

Origem-Destino

 

Tripulação

16-06-1942

Ilha de Santa Maria, Faro

RAF   58 Sqn

Armstrong Whitworth Whitley       Z9291

 

St. Eval (GB) → St. Eval (GB)

 

F/Sgt      Leslie Alec Hayward         GB

Sgt         J. W. Walsh                      Canadá

Sgt         T. Linton                          GB

Sgt         F. Hill                               GB

Sgt         C. D. Young                      GB

Sgt         V. C. Wyser                      GB




Na manhã de 18 de junho de 1942 o avião estava em patrulha anti-submarina na Baía da Biscaia quando os tripulantes avistaram um u-boat. Foram largadas cargas de profundidade a baixa altitude - cerca de 50 pés (pouco mais de 15 metros) - mas devido a um problema mecânico também se desprenderam duas bombas de 250 quilos.

Como tinham espoletas que reagiam ao impacto estas explodiram mal tocaram a água e a aeronave - que estava mesmo sobre a zona de impacto - sofreu estragos importantes na fuselagem e nos comandos.

Apenas a destreza de Alec Hayward terá evitado que os ingleses se despenhassem de imediato no mar. Com poucas opções procurou chegar à terra mais próxima que, no caso, era a costa espanhola. Como o avião se foi aguentando no ar foi tomada a decisão de tentar aterrar em Gibraltar seguindo sempre com terra à vista. No sul de Portugal esgotou-se o combustível e o Hayward teve de realizar uma aterragem forçada perto do Cabo de Santa Maria, na zona de Faro.

Pelo esforço e perícias demonstrados Hayward recebeu a Distinguished Flying Cross (DFC).

A aterragem aconteceu pelo meio-dia, mesmo junto à rebentação, e os tripulantes tentaram incendiar o avião mas foram impedidos por elementos da Guarda Fiscal que acorreram ao local. Os ingleses ficaram alojados inicialmente no edifício da Guarda Fiscal que existia na ilha.

No mesmo dia foram enviados para Lisboa e depois para as Caldas da Rainha onde chegaram no dia 24 de junho escoltados por um elemento da PVDE. O período de internamento foi curto pois a 6 de julho já estavam em Gibraltar.

Hayward foi dado como desaparecido em combate a 12-03-1944. 

Tal era proximidade da linha de água que o bombardeiro ficava parcialmente submerso sempre que a maré subia. A falta de recursos impediu as autoridades de o rebocar para uma zona menos exposta. 

No dia 23 junho seguiu para o local o major de Engenharia António Jimenez Gonçalves para fazer uma avaliação do estado do avião. No relatório que se seguiu salientou a existência de muitas zonas cobertas de ferrugem. Pôs-se a possibilidade de o desmontar e transferir para um navio da marinha, mas nenhum estava disponível para este tipo de serviço. A solução passou por desmontar as diversas secções, metê-las em batelões, atravessar a Ria Formosa e depois despachar tudo de comboio. Uma equipa de recuperação da Aeronáutica Militar da Base Aérea nº 2 com um técnico das Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA) foram enviados para o local.

A 7 de Julho já estava em Faro a equipa de recuperação que passava diariamente de Faro para as ilhas num escaler do Instituto de Socorros a Náufragos da Culatra. Os restos do avião era colocados em batelões que atravessavam a Ria Formosa conduzidos pelo rebocador da Junta Autónoma de Faro de um lado para o outro. 

A 9 de Julho o material estava em Faro e seguiu por caminho de ferro para Alverca onde entrou no Depósito de Material de Aviação.

Carlos Guerreiro

Fontes:

Evade & Escape Report - National Archives/ London Kew § "rafcommands.com"  §  Familia de Alec Hayward  §  Jornal "O Algarve"  §  Banstead History Research Group §  London Gazette