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Nota informativa sobre a Divisão Azul contida na revista "Sinal".
(Revista "Sinal", edição de Dezembro de 1942)
Cerca de 150 portugueses vestiram a farda da Divisão Azul, a unidade de voluntários constituída em Espanha, para combater com os alemães na frente russa entre 1941 e 1944.
Estas informações foram confirmadas, pela primeira vez, pelo investigador Ricardo Silva, da Universidade Nova de Lisboa, durante a Conferência Portugal e o Holocausto que aconteceu em outubro de 2012 na Fundação Gulbenkian. No ano seguinte o mesmo investigador colaborou na publicação de um número especial da revista "Visão História" totalmente dedicada ao tema.
Ricardo Silva consultou os cerca de 47 mil processos individuais de divisionários e outra documentação nos arquivos em Alcalá de Henares, nos arredores de Madrid e onde se encontra a maior parte da documentação referente à Divisão Azul; o Centro de Documentação para a Memória Histórica, em Salamanca, para além de arquivos existentes em Portugal.
Pelo menos meia centena destes homens fizeram parte do primeiro contingente que partiu de Madrid e que entrou em combate na frente oriental no Outono/Inverno de 1941.
No final do conflito cerca de uma vintena de portugueses tinha perdido a vida a lutar pela divisão. Dois tinham sido feitos prisioneiros e apenas um regressaria a Espanha em 1954, quando cerca de 200 prisioneiros espanhóis foram autorizados a voltar ao país vizinho.
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Fotografias de propaganda sobre a Divisão Azul publicadas em Portugal.
(Fotografia de póster da organização "Combatentes da Juventude Académica da Europa"; revista "Sinal", edição de setembro de 1943)
A Divisão Azul foi formada pelo ditador Francisco Franco após a Guerra Civil espanhola e pelas suas fileiras passaram cerca 47 mil voluntários, entre os quais 500 estrangeiros, sendo os portugueses a nacionalidade em maior número esclareceu Ricardo Silva que reconstruiu as biografias de cada um dos combatentes portugueses.
A Divisão Azul combateu na Frente Leste, na União Soviética, fazendo parte da Operação Barbarossa, em 1941, nas frentes de Leninegrado e Estalinegrado.
"Cerca de dois terços dos portugueses alistados na Divisão Azul já tinham combatido ao lado das forças franquistas durante a Guerra Civil Espanhola", esclarece Ricardo Silva, acrescentando que entre os portugueses "havia um misto de ideologia, catolicismo, anticomunismo e aventura".
No total morreram cerca de cinco mil homens da Divisão Azul em combate e cerca de 400 foram feitos prisioneiro.
Não é fácil fazer esta investigação pois continuam a existir processos por abrir, nalguns casos os portugueses surgem como tendo nascido em Espanha e há dúvidas em relação a alguns dos nomes que já foram recolhidos.
Ricardo Silva não põem de parte a possibilidade de existirem portugueses que lutaram noutras formações alemãs e tem quase a certeza que entre as SS também houve elementos lusos.
Carlos Guerreiro
Fontes/ Sources:
- Arquivos: National Archives UK, Kew (GB); Arquivo Histórico da Marinha (PT); Arquivo Histórico do MNE (PT);
- Sites: uboat.net;
- Livros: Shipping Company Losses of the second World War, Ian M. Malcolm; Lista dos Navios da Marinha Portuguesa, datas 1939 a 1945;

