Náufragos do Avila Star recolhidos por navios da Marinha

Recolha dos náufragos pelo Lima

Recolha dos náufragos pelo Lima
(Foto: Revista de Marinha)

NRP Lima
(Portugal)

Capitão: Capitão-Tenente Sarmento Rodrigues
Tipo: Contratorpedeiro
Tonelagem: 1563 Tb
Proprietário: Marinha Portuguesa
Porto: Lisboa
Construção: Yarrow, Inglaterra (1933)

NRP Pedro Nunes
(Portugal)

Capitão: Capitão-de-Fragata Artur Paulo Correia Monteiro
Tipo: Aviso
Tonelagem: 1217 Tb
Proprietário: Marinha Portuguesa
Porto: Lisboa
Construção: Arsenal da Marinha, Lisboa (1935)

Na noite de 7 para 8 de Julho o contratorpedeiro Lima – em trânsito de Lisboa para Ponta Delgada - apercebeu-se da existência de uma luz à distância que veio a revelar-se um salva-vidas. A bordo os náufragos indicaram ao comandante Sarmento Rodrigues onde se encontravam outros sobreviventes e nas horas seguintes tinham recolhido 110 pessoas em três embarcações. Pertenciam ao paquete Avila Star, torpedeado pelo submarino alemão U-201, no dia 6 de Junho de 1942.

Quando foram encontrados estavam quase todos feridos, alguns com fracturas. A exaustão era geral. As roupas estavam rasgadas e imundas. “Por toda a parte escorria nafta dos andrajos que iam sendo substituídos. Oficiais, sargentos, marinheiros, cedem as suas camas, emprestam as suas roupas, multiplicam-se em caridades para com os náufragos, cujo estado metia compaixão”, relata a Revista da Marinha, na edição de Janeiro de 1943, num artigo de várias páginas, ilustrado com fotografias.

Os náufragos asseguraram que existiam mais duas baleeiras e continuaram as pesquisas, mas com combustível a escassear o Lima abandonou a missão ao fim de alguns dias. Prosseguiram as buscas com recurso a aparelhos da Aviação Naval e três semanas depois do afundamento foi descoberta mais uma balsa que foi “bombardeada” com víveres atados a coletes salva-vidas. O aviso Pedro Nunes, já no mar, recolheu-os três dias depois, a 25. No pequeno barco tinham morrido 10 dos 39 ocupantes.

“O estado em todos os que vinham era indiscritível. Inanimados, moribundos quási. As senhoras choravam. Muitos foram retirados inertes, debaixo das bancadas onde jaziam. Um deles agonizava ao chegar ao convés do navio salvador. Outros devem a vida ao extraordinário esforço que o 2º tenente médico Nobre Leitão desenvolveu durante longas horas, em que até uma transfusão de sangue teve de ser feita, com as mais rudimentares disposições para tal”, lê-se na Revista da Marinha. A reportagem não refere, no entanto, que no Pedro Nunes se registou mais um óbito, acontecendo mesmo com outros dois já em Lisboa, no hospital.

Apesar das buscas terem continuado o quinto salva-vidas nunca foi encontrado. Dos 199 passageiros e tripulantes do Avila Star, 73 não sobreviveram…

O Avila Star foi atingido por dois torpedos disparados pelo U-201, passava pouco da meia noite de 6 de julho de 1942. Quando estavam a ser arriados os salva-vidas explodiu um novo torpedo que matou vários tripulantes e passageiros numa das baleeiras. No total desceram sete baleeiras, mas duas estavam arrombadas e os ocupantes foram redistribuídos pelas outras cinco. Apenas quatro foram encontradas.

C. G.

Avila Star(GB)

Capitão: John Fisher
Tipo: Vapor de Passageiros
Tonelagem: 14,443 Tb
Proprietário/: Blue Star Line Ltd
Porto: Londres
Construção: John Brown & Co Ltd, Clydebank (1927)




Fontes:

National Archives UK, Kew (GB)  §  Arquivo Histórico da Marinha  §  Arquivo Histórico do MNE  §  uboat.net  §  Shipping Company Losses of the second World War, Ian M. Malcolm §  Lista dos Navios da Marinha Portuguesa, datas 1939 a 1945  § Alan J. Tenant, British and Commonwealth merchant ship Losses to Axis submarines 1939-1945  §  Revista de Marinha  §  Diário de Notícias  §  O Século  §  Vida Mundial