O "Alexandre Silva"
(Foto: Coleção particular)
Alexandre Silva
(Portugal)
Capitão:
Tipo: Navio de carga
Tonelagem: 1746 TB
Proprietário: Companhia União Fabril
Porto: Lisboa
Construção: 1942 - Lisboa
Pouco depois do meio-dia no dia 20 de abril de 1944 o navio português Alexandre Silva encontrou, sobre uma jangada, três náufragos do cargueiro grego Peleus, afundado mais de um mês antes – a 13 de março – pelo U-852.
Os homens – dois de nacionalidade grega e um maltês – foram desembarcados no Lobito, em Angola, a 27 de abril, abrindo um dos capítulos mais negros da história da arma submarina alemã durante a II Guerra Mundial.
Antonios Lissis, Dimitrios Argiros e Roco Said eram os únicos sobreviventes de um massacre levdo a cabo pela guarnição do U-852.
O assassinato teve início poucos minutos depois das 19.40 horas do dia 13 de março, quando o Peleus - que seguia sozinho de Freetown para Buenos Aires - foi atingido por dois torpedos e se afundou. O comandante do U-boat alemão, Heinz-Wilhelm Eck, emergiu perto dos sobreviventes que lutavam para se salvar e interrogou um oficial grego. Depois deu ordem para matarem todos os homens do Peleus.
Nas horas seguintes foram eliminados à granada e a tiros de metralhadora todos tripulantes que encontraram. No final sobreviveram apenas quatro homens que se esconderam em duas jangadas. Mais tarde os náufragos encontraram-se e amarraram as jangadas uma à outro ficando à deriva durante mais de um mês.
Quando o Alexandre Silva os avistou já tinha morrido um dos homens na sequência dos ferimentos que tinha sofrido na explosão de uma granada atirada pelos alemães.
O U-852 deixou a zona do ataque e dobrou o cabo da Boa Esperança para o Índico. A 2 de maio de 1944, foi alvo de um ataque aéreo perto da costa da Somália. Do rencontro resultaram graves avarias que obrigaram a tripulação a encalhar o submarino junto à costa. Os alemães foram aprisionados e quando os destroços foram inspecionados encontraram-se relatórios que referiam o afundamento de um navio no dia e na zona onde se tinha dado o incidente do Peleus.
Depois da guerra, em outubro de 1945, cinco elementos da guarnição do U-852 foram julgados por crimes de guerra na cidade alemã Hamburgo. O comandante do U-boat alegou que protegia o navio e a tripulação, e temia que os sobreviventes colocassem na sua peugada vasos de guerra aliados.
A tese não convenceu os juízes do tribunal Aliado de Crimes de Guerra. Condenados à morte, Eck e dois oficiais, foram fuzilados em novembro do mesmo ano, ficando para a história como a única guarnição de um u-boat a sofrer a pena capital por crimes de guerra na II Guerra Mundial...
Carlos Guerreiro
Peleus
(Grécia)
Capitão: Minas Mavris
Tipo: Vapor de Carga
Tonelagem: 4695 TB
Proprietário: Nereus Steam Navigation Co.
Porto: Syra
Construção: 1928 - GB
Fontes:
National Archives Kew § National Archives and Record Administration § Arquivo Histórico e Diplomático - Minsitério dos Negócios Estrangeiros § Law Reports of Trials of War Criminals selected and prepared by the United Nations War Crimes Commission, English Edition, Volume 1, London, Published for The United Stations War Crimes Commission by His Majesty's Stationary Office, 1947 § Uboat.net

