O Porto de Lisboa
(Foto: Revista "Panorama", Junho 1941)
Arendskerk
(Países Baixos)
Capitão: Cornelis Wijker
Tipo: Mercante a motor
Tonelagem: 7,907 TB
Proprietário: NV Vereenigde Nederlandsche Scheepvaart Mij
Porto: The Hague
Construção: Danzing (1938)
O navio Arendskerk foi interceptado pelo U-44, que disparou sete tiros para detê-lo. O imediato, Johan Oostermeis, levou a documentação para o submarino para inspeção e, como o manifesto de carga indicava mercadorias destinadas ao Reino Unido, os alemães consideraram que se tratava de contrabando de guerra. Os holandeses tiveram meia hora para abandonar o navio antes que um torpedo fosse disparado, partindo-o ao meio. Apenas a popa afundou e, meia hora depois, o submarino disparou mais 18 tiros com sua peça de artilharia para afundar a proa. Após o naufrágio, os sobreviventes passaram várias horas em botes salva-vidas até serem encontrados pelo navio italiano "Fedora", que os transferiu para o "Poelau Bras".
Na manhã de 17 de janeiro de 1940 entrou em Lisboa o navio holandês "Poelau Bras" trazendo 62 náufragos do cargueiro "Arendskerk" - da mesma nacionalidade - afundado no dia 15 na sequência de uma inspeção realizada por um U-boat alemão que detetou contrabando para Inglaterra entre a carga.
Entre os recém-chegados encontravam-se oito homens naturais de Mormugão, na Índia portuguesa. Chamavam-se Francisco Piedade, Sebastião Fernandes, Mariano Diniz, Remédios Dias, Custódio Martins, José Silveira, Saúde Rodrigues e António Diniz. A principal preocupação - quando falaram com os jornalistas - era a de saber se iriam ter a possibilidade de visitar Lisboa.
Nenhum deles conhecia a então capital do Império.
Os náufragos foram alojados em diversos hotéis da cidade e, no dia seguinte, para além de questões burocráticas, foi autorizada a compra de vestuário para tripulantes e passageiros.
Os malaios e javaneses que integravam a tripulação embarcaram ainda a 18 para Batavia, atual Jacarta, enquanto o comandante e os oficiais seguiram a 20 no "Sud" para a Holanda.
Não foi possível apurar quando seguiram para casa os portugueses de Mormugão, mas a sua presença mereceu a atenção de um dos noticiários cinematográficos do Jornal Português, a revista mensal de propaganda e notícias que passava nas salas de cinema.
O navio Arendskerk foi interceptado pelo U-44, que disparou sete tiros para detê-lo. O imediato, Johan Oostermeis, levou a documentação para o submarino para inspeção e, como o manifesto de carga indicava mercadorias destinadas ao Reino Unido, os alemães consideraram que se tratava de contrabando de guerra.
Os holandeses tiveram meia hora para abandonar o navio antes que um torpedo fosse disparado, partindo-o ao meio. Apenas a popa afundou e, meia hora depois, o submarino disparou mais 18 tiros com sua peça de artilharia para afundar a proa.
Após o naufrágio, os sobreviventes passaram várias horas em botes salva-vidas até serem encontrados pelo navio italiano "Fedora", que os transferiu para o "Poelau Bras".
Carlos Guerreiro
Fontes:
Biblioteca Central de Marinha - Arquivo histórico § Uboat.net § Diário de Lisboa

