Os sobreviventes do Hellenic Trader foram rebocados pelo Nacala

fotografia do navio Nyassa

Informação sobre o afundamrnto do Hellenic Trader contido nos War Diaries do Almirantado
(National Archives and Records Adninsitration, USA)

Nacala
(Portugal)

Capitão:
Tipo: Rebocador
Tonelagem: 2072 tb
Proprietário: Companhia Nacional de Navegação 

Porto: Lisboa
Construção: Inglaterra (1886)

Na manhã do dia 12 de junho de 1942 o rebocador Nacala regressava a Moçambique rebocando baleeiras com náufragos do cargueiro britânico Mahronda, quando avistou outros salva-vidas à distância. Tratavam-se dos sobreviventes do navio panamiano Hellenic Trader, afundado – tal como a embarcação inglesa - no dia anterior pelo submarino japonês I-20.

Depois do rebocador deixar os homens do Mahronda regressou de imediato à ilha de Goa para também recolher os 36 sobreviventes do panamiano que vinham num bote e numa jangada. Descobriram depois que na baleeira estava já cadáver o chefe de máquinas Athineos, que fora ferido com gravidade nas pernas, sendo sepultado no cemitério de Mossuril. Três homens, entre eles o capitão Metaxas, foram internados no hospital. Seis tripulantes desapareceram com o navio.

Somando os náufragos dos navios panamiano e britânico chegaram naquele dia ao Mossuril e ao Lumbo cerca de 200 pessoas que devido à falta de alojamentos foram acolhidas pelas empresas Ferreira dos Santos, Zuid e Hotel Lumbo. Alguns terão também sido acomodados por britânicos residentes na área. As autoridades portuguesas emprestaram ainda 45 colchões ao vice-cônsul britânico para facilitar as dormidas. Estes colchões faziam parte de um lote de duas centenas mandados fazer quando da visita à colónia do Presidente da República, Óscar Carmona, em julho de 1939.

O Hellenic Trader seguia para sul quando, pelas 17.50 horas do dia 11 de junho, a poucas milhas da ponta Maxilone, foi atacado pelo submarino I-20 da marinha imperial japonesa. Os panamianos tinham assistido ao torpedeamento do Mahronda e, poucos depois, foram surpreendidos pela emersão do navio nipónico que os atacou a tiros de canhão.  Os primeiros cinco disparos ficaram curtos, mas os seguintes incendiaram e afundaram o cargueiro. 36 dos 43 tripulantes escaparam numa baleeira e numa jangada e, estando próximos de terra, o capitão Metaxas ordenou que se dirigissem a Moçambique onde foram avistados pelo Nacala que saíra para assistir náufragos do Mahronda.

Em terra os comandantes grego e britânico conversaram sobre os ataques e sobre um navio suspeito que os seguiu durante o dia, sem nunca ser importunado pelo submarino. O comandante Metaxas assegurou que viu os artilheiros dessa embarcação dirigirem-se a um dos canhões, antes de divergiram sem realizar qualquer disparo ou prestar socorro. Já no salva-vidas estranhou a reação de um homem branco que se encontrava num bote perto de terra e que apesar dos pedidos de ajuda em diversas línguas não deu qualquer assistência, demonstrando por gestos que não tinha qualquer intenção de os socorrer. Ficou a possibilidade de se tratar de um colono alemão, dos quais existiam muitos na zona.

C. G.




Hellenic Trader
(Panamá)

Capitão: Metaxas
Tipo: Vapor mercante
Tonelagem: 2009 tb
Proprietário: China Hellenic Line, Ltd

Porto: 
Construção: Newport News Shipbuilding & Drydock Co.

Fontes:

National Archives UK, Kew (GB)  § Arquivo Histórico da Marinha (PT) §  Arquivo Histórico do MNE (PT)  §  Lista dos Navios da Marinha Portuguesa, datas 1939 a 1945  §  The Worlds Merchant Fleets - 1939, Roger Jordan,  §  NARA