Tripulante do navio Longtaker/ anterior Sessa (Panamá)
Local de nascimento – Santa Marinha (Vila Nova de Gaia)
Data de nascimento – 04/08/1916
Data de falecimento – 09/06/1987
Pai – António Joaquim Correia
Mãe – Palmira Clara de Oliveira
João de Oliveira Correia hospitalizado na Islândia.
(Fotografia: Manuel Lapas)
João de Oliveira Correia foi um dos três sobreviventes do ataque ao navio panamiano Longtaker, torpedeado pelo U-38 a 18 de agosto de 1941. Na sequência do afundamento morreram 24 tripulantes, entre eles quatro portugueses.
Um dos cidadãos nacionais que desapareceram foi Raul José de Oliveira Correia, irmão de João Oliveira. Foram ainda dados como mortos Bernardino Moreira da Silva, José Tomás e A. L. Marques.
Segundo relatou a imprensa da época, João não encontrava emprego em Portugal, razão porque partiu para os Estado Unidos da América para se juntar ao irmão. Raul estava naquele país depois de ter desembarcado do vapor português San Miguel na sequência de problemas com outro tripulante.
Em junho de 2026, o filho de João Oliveira - Manuel Lapas - contou-me outra versão dos acontecimentos. Os irmãos tinham ido no mesmo navio, já com o objetivo de procurar melhores condições de vida. As deserções em navios mercantes portugueses nos Estados Unidos da América eram muito frequentes. Centenas de marinheiros nacionais fizeram-no não só em 1941 - quando aquele país ainda era neutro -, mas também depois, já com o país envolvido no conflito. Os salários na marinha mercante portuguesa eram muito baixos e, apesar do risco, havia quem arriscasse.
Raul, o mais novo de cinco irmãos, já era casado quando viajou e era pai de Otília e Conceição, duas crianças de tenra idade. João deixou a noiva - Dolorosa da Silva Lapas - em Portugal.
A 5 de agosto de 1941, João enviou uma carta à mãe, revelando que ambos tinham conseguido trabalho a bordo do vapor panamiano Longtaker, com vencimentos entre os 80 e os 100 dólares mensais.
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.A jangada que permitiu a João Correia e cinco outros tripulantes escaparem do Longtaker. Nos 19 dias seguintes, três morreram.
(Fotografia: Manuel Lapas)
O Longtaker tinha sido construído em 1936 e assumido a bandeira dinamarquesa, com o nome Sessa. Devido à guerra, o navio ficou retido nos EUA e, sem previsão de saída, foi confiscado pelas autoridades locais. A 2 de agosto de 1941, o navio foi reclamado pela US Maritime Commission e posto sob bandeira panamiana com o nome de Longtaker.
A 7 de agosto, o navio saiu do Pier 37, em Manhattan, com destino à capital islandesa, Reiquiavique, mas às 2h50 do dia 18, foi atingido por dois torpedos disparados pelo U-38. Levou cerca de um minuto a afundar-se. Seis tripulantes conseguiram chegar a uma jangada, mas três morreram antes de serem descobertos por um avião e, finalmente, recolhidos pelo contratorpedeiro americano USS Lansdale, a 5 de setembro.
Dois dos homens ficaram hospitalizados, entre eles João de Oliveira Correia. Numa pequena reportagem da British Pathé, que passou nos cinemas naquele período, podem ver-se imagens dos sobreviventes. O português é o primeiro a surgir acamado num hospital islandês.
O pequeno filme começa aos 20 segundos:
Em Portugal, as famílias foram inicialmente informadas do desaparecimento, e possível morte, dos dois irmãos. Mais de 20 dias depois, chegou a notícia de que João Correia afinal tinha sobrevivido e estava hospitalizado.
Depois de recolhidos, os homens deram contas das dificuldades pelas quais tinham passado. Manuel Lapas disse que o pai contava que eram seis sobre uma jangada, com duas latas de água, outra de bolachas, três camisolas, duas capas e chapéus de oleado. Pouco para combater o frio, a fadiga e a fome. Havia ainda luzes de sinalização, fósforos e lanternas elétricas. Antes de atirar os mortos ao mar, os corpos eram despidos para ajudar os outros a aguentar as baixas temperaturas.
Casamento de João de Oliveira Correia
e Dolorosa Lapas.
(Fotografia: Manuel Lapas)
João Correia esteve internado três meses na Islândia. O frio e a gangrena obrigaram os médicos a amputar-lhe vários dedos dos pés, antes de o transferirem para um hospital nos EUA, onde passou a maior parte de 1942 em tratamentos.
Após sair do hospital, João Correia manteve-se nos Estados Unidos, onde continuou a trabalhar na marinha mercante.
Só regressou a Portugal oito anos depois para casar com Dolorosa. Do casamento nasceram duas filhas - Luísa Ondina e Prudência - e um filho - Manuel.
João continuou a trabalhar nos Estados Unidos da América, regressando todos os anos a Portugal para estar com a família.
Carlos Guerreiro
Fontes
Uboat.net § Diário de Notícias § Diário de Lisboa § Manuel Lapas, filho de João de Oliveira Correia §

