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Cabo na Divisão Azul
Local de nascimento – Lisboa
Data de nascimento – 02/1913
Data de falecimento –
Pai –
Mãe –
Combateu na guerra civil espanhola, ao lado dos nacionalistas, e depois vestiu a farda da Divisão Azul combatendo na frente leste ao lado das forças alemãs. Jaime Graça é um dos portugueses que vestiram a farda alemã para combater o comunismo e foi um dos poucos que relatou a sua história a um periódico.
As suas aventuras e desventuras foram publicadas em junho de 1992 na revista do jornal “O Independente” quando já tinha 79 anos.
Jaime Graça nunca aprendeu a ler e desde os nove anos que era estofador, mas o trabalho era escasso. Tinha saído da tropa em 1936 e já tinha feito de tudo para ganhar muito pouco: vendeu jornais, engraxou sapatos, fez recados, vendeu água num cinema, abriu buracos para plantar as árvores que hoje fazem o parque florestal de Monsanto.
Pouco depois de sair da tropa estava na praça do Rossio, com amigos, quando foram abordados por dois homens que lhes perguntaram se queriam “ir trabalhar para Espanha”. O facto de receberam cem escudos só por assinarem deu uma boa ajuda. Foram metidos num camião e alimentados a sandes até chegarem a Badajoz onde foram seleccionados para vestir a farda do Tércio, a Legião Espanhola.
Jaime Graça foi engrossar as fileiras do Generalíssimo Franco na guerra civil que varreu o país vizinho entre 1936 e 1939. Passou pelos campos de batalha de Toledo, Madrid e Ebro.
Foi ferido, mas sobreviveu à guerra. Mal terminou a guerra civil, foi enviado para o Norte de África com a Legião Espanhola, mas não ficou por lá muito tempo. Segundo conta depois de ter sido enganado no Rossio, foi obrigado a integrar a Divisão Azul que Francisco Franco mandou constituir em 1941 para ajudar os alemães a combater os russos.
Jaime Graça durante a entrevista e com camaradas do Tércio espanhol.
(Jornal "O Independente")
O cabo Jaime Graça esteve na frente russa entre junho de 1942 e Janeiro de de 1943.
Na entrevista queixa-se da qualidade da comida, do frio e da guerra no período em que percorreu a Estónia, a Letónia, a Lituânia e a Ucrânia. Terminou a viagem enquanto divisionário às portas de Leningrado onde foi ferido numa perna. Adoeceu depois com um problema nos olhos e acabou por ser enviado para casa.
Graça também realça nas suas declarações a organização germânica em todas as áreas e considera que os soldados russos eram uns “coitaditos”. Já as mulheres de todos os locais por onde passou merecem-lhe os maiores elogios…
Os 40 graus abaixo de zero fizeram os seus estragos e o problema nos olhos agravou-se, o que levou à sua dispensa do exército. Regressou a Espanha e levantou alguns milhares de pesetas que tinha depositados na sua conta como pagamento pela colaboração com exército alemão.
Estourou a sua pequena fortuna ainda em Espanha “na batota, nas mulheres, no vinho”.
Regressou a Portugal quase como partiu, pregando um susto dos grandes à mãe: “Eu tinha perdido a chapa que os militares utilizam no pulso (…), e alguém a enviou para a Embaixada espanhola, aqui na rua do Salitre. A minha mãe foi lá saber de mim e disseram-lhe que eu tinha morrido”.
Carlos Guerreiro
Fontes:
Revista do jornal "O Independente" § Ricardo Silva

